sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Caros amigos:

Nosso grande ídolo, Antônio Candeia Filho, disse uma vez em uma das mais conhecidas músicas suas: " Pra cantar samba se precisa muito mais; samba é lamento, é sofrimento, é a fuga dos meus ás (...) "

Grande mestre; o senhor está coberto de razão: cantar é uma faceta para poucos... Quem não o souber fazer, que fique de fora, apenas aprendendo.

Creio que um dos grandes problemas que o samba enfrenta ultimamente, é a falta de humildade. Não temos que ter vergonha em aprender com os outros. Nossos mestres nos deixaram muitas coisas, e é nosso dever, honrá-los com a maior dignidade.

Por favor, vamos respeitar quem chegou primeiro. Vamos respeitar Roberto Silva, Jorginho Pessanha, Ciro, Chico Viola, Marçal, Mário Reis...

Esse recado é para aqueles que põem o maldito chapéu panamá na cabeça, salvo raríssimas exceções, e saem por aí espalhando que são sambistas, com aquela autoridade que não convence ninguém.

O samba não está no chapéu nem no cordão de contas, não está no sapato nem na sandália; o samba está no coração, na alma, e são poucos os que carregam esse sentimento tão puro dentro de si. Essa história de auto-afirmação (deixem o meu hífen), está totalmente ultrapassada. Quem quiser mostrar alguma coisa, que lute, que "vista a camisa", que morra pelo samba.

9 comentários:

Totonho Paixão disse...

Salve Gabriel!
Cara! Eu fiquei arrepiado lendo esse post! Você foi uma das poucas pessoas que oui ( no caso li ) falar com propriedade de um movimento que vem me enojando no samba! Bicho, enfim achei alguém que percebeu essa baboseira toda com amesma intensidade que eu!

Muito obrigado por essas poucas palavras! (pra você ter uma idéia da minha raiva, e a palavra é essa, pode ver o post que fiz faz algum tempo em meu blog http://pretopedro.blogspot.com/2008/05/levando-fama.html)

Eu não aguento mais esse monte de gente decorando gírias antigas para dizer que fala descolado que nem sambista, esse monte de garotos usando guia sem ter nunca pisado em um terreiro de macumba, essa gente de chapéu panamá comprado na zona sul! Isso me dá nojo!

Acho ridículo como eles falam com uma propriedade sobre samba e sambistas que eles não conhecem nem 1% ... Enchem o peito pra dizer: Samba do saudoso fulano...
Ou então: Do mestre fulano de tal...
Essa popularização (leia banalizaçao) do samba é duida pra quem gosta tanto de samba como eu. Sambista mesmo não precisa justificar seu gosto, não precisa se vestir de forma A ou B... Tem momentos que sinto até vergonha de sair na rua de chapéu panamá...

Grande abraço indignado!
Pedro Padilha

eduardo carvalho disse...

Gabriel!

É isso aí! Sem tirar nem pôr!
Fora esses canalhas que acham que são alguma coisa e só atrapalham o samba.

Um grande e emocionado abraço, meu amigo.

PROJETO RESGATE-RS disse...

Gabriel...

Sem palavras, é isso mesmo...
chega desta palhaçada, vamos respeitar!!!


Abração!

Felipe disse...

Gabriel,

Concordo em parte com o que voce disse. Logico que nos ultimos tempos o samba voltou a ser moda, entao surgiram muitos grupos. Mas nao adianta só por a culpa neles, mas também em todo mundo que vai prestigiar. Nao sei se voce se refere aos grupos ou aos que vao assiti-los, ou mesmo aos dois. Eu vou a muitas rodas de samba, e estou sempre de chapeu panamá. Para mim, combina com o clima de samba, muitos sambistas o usaram. Mas é um item de vestuário. Alguém pode usar um chapéu panamá e nao ser sambista, assim como pode ser sambista e nao usá-lo. Nao ponha a culpa no ¨maldito¨ chapéu. Mas, para as pessoas que se dizem sambistas, quem sabe devessemos explicar o que é o ¨samba de verdade¨ para todos.

Gabriel da Muda disse...

Opa Felipe;

na verdade, creio que você não tenha entedido o contexto da postagem.

Quando falo "maldito chapéu" não estou generalizando nada. Tenho inúmeros amigos que o usam, mas minha crítica não é ao panamá em si. Minha crítica é à necessidade da auto-afirmação. O que eu quero dizer, é que não se precisa usar chapéu, nem sapato bicolor nem nada para mostrar aos outros que é sambista.

O problema, camarada, é que o chapéu parece uma arma na mão(cabeça) de algumas pessoas, o cara o coloca e já vira sambista automáticamente, cheio de verdades e de opiniões.

Como já disse anteriormente: salvo raríssimas exceções.

Abraços!

Monica Araujo disse...

Por esse e outros motivos , tenho ido a pouquíssimas rodas de samba em minha vida, e as que vou são formadas por amigos meus que frequentam a minha casa ou eu as deles e fazemos nossas rodas nos nossos quintais , de chinelo de dedo , entrando e saindo na cozinha , com a comida preparada pelas esposas e as crianças correndo no terreiro. São as melhores. Dia dessa formamos uma em uma casa no alto do Mundo Novo, como diria os amigos: "Da melhor qualidade". Ninguém vai lá pra avaliar, só pra ouvir boa música.

Fernando Augusto disse...

Legal mesmo o texto. Tomei a liberdade de publicá-lo no meu blog, com o devido crédito é lógico.

Gabriel da Muda disse...

Valeu Fernando, que bom que gostou. É de coração.

Abração!

André Carvalho disse...

Falou e disse...

Belo texto. Concordo plenamente.

E concordo com a Monica também: as rodas de sambas armadas nos quintais de nossas casas são as melhores mesmo.

um abração

André

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